10 janeiro 2011

Programas devem garantir terapia antirretroviral e alimentação infantil para evitar a transmissão vertical do HIV

Fonte:Sexually Transmitted Infections, Volume 86

O número de mulheres soropositivas grávidas que recebem medicamentos antirretrovirais (ARV) para evitar transmissão vertical do HIV tem aumentado rapidamente. Um estudo realizado pela OMS e publicado na revista Sexually Transmitted Infections estimou a redução das infecções pelo HIV em crianças devido à prevenção de transmissão vertical (PTV) na última década.

Entre 2000 e 2009 houve uma redução de 24% no número anual estimado de transmissões verticais do HIV nos 25 países com o maior número de mulheres soropositivas, um terço dessa redução ocorreu em 2009. Se estes países implementassem as novas recomendações de PTV da OMS entre 2010 e 2015, e fornecessem a profilaxia ARV mais eficaz e o tratamento a 90% das mulheres soropositivas grávidas, 1 milhão de novas infecções em crianças poderiam ser evitadas até 2015. A redução da incidência do HIV em mulheres em idade reprodutiva, e a limitação da duração do aleitamento materno aos 12 meses (com profilaxia ARV) poderia evitar um adicional de 264.000 infecções, resultando em uma redução de 79% dos recém-nascidos infectados entre 2009 e 2015.

Concluiu-se que para atingir a eliminação virtual da transmissão vertical do HIV, os programas devem atingir uma elevada cobertura, com terapia antirretroviral mais efetiva e práticas seguras de alimentação infantil.

O consumo de determinados vegetais reduz o risco de câncer de mama

Fonte: American Journal of Epidemiology

Pesquisadores da Boston University examinaram prospectivamente a relação entre o consumo de frutas e vegetais e o risco de câncer de mama entre as 51.928 mulheres com idades entre 21 e 69 anos.

Durante 12 anos de seguimento, houve 1.268 casos de câncer de mama. O consumo total de frutas e vegetais não foi significativamente associado com o risco total de câncer de mama. No entanto, o consumo de vegetais foi associado com um risco reduzido de câncer de mama com receptor de estrógeno negativo e receptor de progesterona negativo (razão da taxa de incidência = 0,57, IC 95% 0,38 a 0,85, para ≥ 2 porções / dia em relação a <4 / semana; P = 0,02). Além disso, houve alguma evidência de associação inversa com o risco de câncer de mama em geral e o consumo de cenoura (P = 0,02).

Os resultados do estudo sugerem que o consumo frequente de vegetais é inversamente associado com o risco de câncer de mama com receptor de estrógeno negativo e receptor de progesterona negativo, e que vegetais específicos podem ser associados com um risco reduzido de câncer de mama em geral.

09 janeiro 2011

Risco de contrair HIV em transfusão é maior no Brasil que nos EUA

Fonte: Agência Estado

Uma em cada 100 mil bolsas de sangue pode estar contaminada.
Nos EUA, a relação é de 1 para cada 2 milhões de bolsas.


Uma pesquisa feita em três hemocentros brasileiros no período entre 2007 e 2008 indica que o risco de contrair HIV em transfusões de sangue no Brasil é 20 vezes maior do que nos Estados Unidos.

O trabalho, feito por estimativa, calcula que 1 em cada 100 mil bolsas de sangue do País pode estar contaminada pelo vírus causador da Aids. Nos EUA, a relação é de 1 para cada 2 milhões de bolsas.

Embora muito mais elevados do que norte-americanos e de alguns países europeus, os índices brasileiros melhoraram. Versão anterior da pesquisa, de 2006, indicava que 1 em cada 60 mil bolsas poderia estar contaminada pelo HIV. "Precisamos avançar na segurança. Mas não há dúvida de que muito já foi feito", afirma a coordenadora do trabalho, Ester Sabino, da Fundação Pró-Sangue de São Paulo. Com números atuais, entre 30 e 60 pessoas por ano podem ser contaminadas por sangue doado. Na versão de 2006, a estimativa era de que entre 50 e 100 pessoas pudessem se infectar.

Financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH, em inglês), o estudo coordenado por Ester foi feito a partir da análise de bolsas de sangue coletadas nos hemocentros de São Paulo, Minas e Pernambuco. Durante a apresentação do trabalho, em Congresso da Associação Americana de Bancos de Sangue, Ester classificou como "alto" o risco residual para HIV durante transfusões no Brasil.

Teste por melhorar segurança

Uma das alternativas para melhorar a segurança é a introdução de rotina do uso de um teste batizado de NAT, que identifica traços do vírus no sangue e não de anticorpos, como exames tradicionais. Ester calcula que, com o início do exame, o risco de infecção por HIV passaria de 1 a cada 100 mil para 1 em cada 250 mil. "O exame, sozinho, não basta", diz.

O coordenador da Política de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Guilherme Genovez, afirmou que até o início do segundo semestre estarão em funcionamento pelo menos oito plataformas para realização de exames NAT. Mas Genovez contesta os índices apresentados no trabalho: "Eles estão mais para um oráculo. Foram feitos por estatística, não podem ser considerados fato." Genovez cita um levantamento feito em 130 mil bolsas de sangue coletadas em hemocentros de Santa Catarina, São Paulo, Rio e Pernambuco, no qual o vírus não foi identificado em nenhuma amostra. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

08 janeiro 2011

Pessoas vivem mais, mas passam mais anos doentes

Fonte: Diário da Saúde

Expectativa pouco saudável

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que, apenas de estarem vivendo mais, as pessoas estão passando um percentual maior de suas vidas doentes.

A nova pesquisa, publicada na edição de dezembro da revista Journal of Gerontology, revela que o aumento na expectativa de vida não tem sido acompanhado por mais anos de saúde perfeita.

Na verdade, uma pessoa com 20 anos de idade hoje pode esperar adoecer um ano a mais ao longo de sua vida do que uma pessoa com 20 anos de idade uma década atrás - mesmo com o aumento da expectativa de vida.

Segundo a pesquisa, não se trata apenas de viver mais anos doente em função de uma vida mais longa: o número médio de anos saudáveis vem diminuindo desde 1998. Mesmo vivendo mais tempo, contamos com um número menor de anos saudáveis no total.

Morbidade

De 1970 a 2005, a probabilidade de uma pessoa com 65 anos chegar aos 85 anos duplicou, passando de aproximadamente 20 por cento para 40 por cento de chance.

Muitos pesquisadores têm presumido que as mesmas forças que permitem às pessoas viverem mais tempo, incluindo os comportamentos mais saudáveis e os avanços da medicina, também retardariam o aparecimento de doenças e permitiriam que as pessoas passassem menos anos de suas vidas com doenças debilitantes.

Mas Eileen Crimmins e Beltrán Hiram-Sánchez, da Universidade do Sul da Califórnia, mostraram que não é bem assim.

Sua pesquisa revelou que a morbidade média - o período de vida gasto com doenças graves ou com a perda da mobilidade funcional - tem realmente aumentado nas últimas décadas.

Ilusão

"Nós temos assumido que cada geração será mais saudável e viverá mais do que a anterior", explica Crimmins. "No entanto, a compressão da morbidade pode ser tão ilusória quanto a imortalidade."

"Há provas substanciais de que nós temos feito muito pouco até agora para eliminar ou retardar as doenças; o que temos feito é evitar a morte pelas doenças," explicou Crimmins.

"O aumento da prevalência das doenças pode, em certa medida, refletir melhorias nos diagnósticos, mas o que isto reflete mais claramente é um aumento da sobrevida de pessoas com doenças," conclui o pesquisador.

Comer alho e cebola pode ajudar a prevenir artrite, aponta estudo

Fonte: The Times of India

Pode não favorecer muito o seu hálito, mas uma alimentação rica em alho e cebola ajuda a reduzir os riscos de desenvolver artrite - doença inflamatória das articulações -, segundo estudo da Universidade East Anglia, no Reino Unido. Em pesquisa com mais de 1000 mulheres saudáveis, todas com irmãs gêmeas, os especialistas notaram que aquelas que comiam maior quantidade de vegetais da família do alho tinham menores níveis de osteoartrite de quadril.

De acordo com os pesquisadores, essa doença é a forma mais comum de artrite, afetando cerca de 8 milhões de pessoas só na Grã-Bretanha, principalmente as mulheres. Ela causa dor e incapacidade, acometendo o quadril, joelhos e a coluna de pessoas na meia idade e idosos, e não apresenta cura conhecida, com o tratamento se baseando na redução da dor.

No novo estudo, avaliando o padrão de dieta das voluntárias, além de exames de raios-X, os pesquisadores descobriram que, entre aquelas que tinham uma alimentação saudável, rica em frutas, verduras e legumes - principalmente vegetais como alho, cebola e alho poró -, havia menos sinais precoces de osteoartrite nas articulações do quadril. E uma análise laboratorial dos compostos do alho indicou que uma substância chamada dialil dissulfeto reduzia os níveis de enzimas que danificam as cartilagens.

“Enquanto não sabemos ainda se comer alho levará a altos níveis desse componente nas articulações, essas descobertas podem apontar o caminho para futuros tratamentos e prevenção da osteoartrite de quadril”, destacou o pesquisador Frances Williams. “Se os resultados forem confirmados em estudos de acompanhamento, isso irá apontar para formas de intervenção alimentares ou terapias farmacológicas focadas para pessoas com osteoartrite”, concluiu o especialista.

Cientistas dizem ter criado teste para diagnóstico precoce de Alzheimer

Fonte: BBC Brasil

Cientistas britânicos dizem ter encontrado uma maneira de diagnosticar o mal de Alzheimer anos antes dos primeiros sintomas.

Um exame de punção lombar combinado a uma ressonância magnética do cérebro poderiam identificar pacientes com os primeiros sinais de demência, segundo os pesquisadores.

Atualmente não há cura ou um exame único para detectar a doença, que afeta mais de vinte milhões de pessoas ao redor do mundo.

Os cientistas esperam que um diagnóstico precoce possa ser usado para selecionar pacientes para testar novos remédios e tratamentos contra a doença.

Encolhimento do cérebro

Apesar de haver muitos possíveis remédios e vacinas contra Alzheimer em fase de testes, é difícil aferir quão eficazes eles são porque frequentemente a demência só é diagnosticada quando já está em estágio mais avançado.

Jonathan Schott e a equipe do Instituto de Neurologia da University College London desenvolveram um método que permitiria fazer o diagnóstico nos primeiros estágios da Síndrome de Alzheimer, o tipo mais comum de demência.

Os exames checam duas coisas: o encolhimento do cérebro e a presença de níveis baixos de uma proteína, a amiloide, no líquido cérebro-espinhal.

Especialistas já sabem que em pacientes afetados pela síndrome há perda de volume no cérebro e um acúmulo incomum de amiloide no cérebro, o que significa menos amiloide no líquido cérebro-espinhal.

Voluntários

A equipe de cientistas decidiu então fazer os exames de punção lombar e ressonância do cérebro em 105 voluntários saudáveis.

Os resultados, publicados na revista científica Annals of Neurology, revelaram que os cérebros dos indivíduos com baixos níveis de amiloide no líquido cérebro-espinhal (38%) encolhiam duas vezes mais rápido que os cérebros dos demais.

Eles também tinham cinco vezes mais chances de possuir o gene de risco APOE4 e de ter níveis altos de outra proteína, chamada tau, que costuma ser associada a Alzheimer.

Apesar de ainda ser muito cedo para qualquer dos voluntários desenvolver a síndrome, os pesquisadores acreditam que suas suspeitas serão confirmadas no futuro.

Isso poderia permitir que os médicos verifiquem que drogas podem ser eficientes em impedir ou adiar o aparecimento dos sintomas de demência.

"Estamos de mãos atadas por nossa incapacidade de detectar Alzheimer com precisão, mas essas descobertas podem ser fundamentais", disse Rebecca Wood, do Alzheimer's Research Trust, organização que financiou a pesquisa.

"Sabemos que os tratamentos para muitas doenças são mais bem sucedidos se realizados cedo e isso também pode valer para Alzheimer."

Suco de romã pode frear metástase de câncer de próstata

Fonte: BBC Brasil

Pesquisadores da Universidade Riverside, da Califórnia, identificaram componentes no suco de romã que podem inibir os movimento de células cancerosas e a metástase do câncer de próstata.

A descoberta, diz Manuela Martins-Green, uma das pesquisadoras, pode ainda ter impacto no tratamento de outros tipos de câncer.

Quando o câncer de próstata reaparece no paciente depois de tratamentos como cirurgia e/ou radiação, geralmente o próximo passo é a supressão do hormônio masculino testosterona, um tratamento que inibe o crescimento das células cancerosas, pois elas precisam do hormônio para crescer.

Mas, com o tempo, o câncer desenvolve formas de resistir também a esse tratamento, se transforma em um câncer muito agressivo e sua metástase ataca a medula óssea, pulmões, nódulos linfáticos e geralmente resulta na morte do paciente.

O laboratório americano aplicou o suco de romã em células de câncer de próstata cultivadas em laboratório que já eram resistentes à testosterona - quanto mais resistente à testosterona uma célula cancerosa é, maior é a sua tendência à metástase.

Os pesquisadores então descobriram que as células tratadas com o suco de romã que não morreram com o tratamento mostraram uma maior adesão, o que significa que menos células se separavam, e também queda na movimentação dessas células.

Em seguida os pesquisadores identificaram os grupos ativos de ingrediente no suco de romã que tiveram impacto molecular na adesão das células e na migração de células cancerosas no câncer de próstata já em estado de metástase.

"Depois de identificá-los, agora podemos modificar os componentes inibidores do câncer no suco de romã para melhorar suas funções e fazer com que eles sejam mais eficazes na prevenção da metástase do câncer de próstata, levando a terapias com remédios mais eficazes", disse Manuela Martins-Green.

Outros tipos de câncer

A pesquisadora afirma que a descoberta pode ter impacto no tratamento de outros tipos de câncer.

"Devido (ao fato de) os genes e proteínas envolvidas no movimento das células de câncer de próstata serem essencialmente os mesmos que os envolvidos no movimento de células em outros tipos de câncer, os mesmos componentes modificados do suco poderão ter um impacto muito mais amplo no tratamento do câncer", afirmou.

Manuela Martins-Green explicou ainda que uma proteína importante produzida na medula óssea leva as células cancerosas a se mover para a medula onde elas poderão formar novos tumores.

"Mostramos que o suco de romã inibe a função dessa proteína e, assim, esse suco tem o potencial de evitar a metástase das células do câncer de próstata para a medula", disse.

Os próximos planos da pesquisadora são fazer testes adicionais em um organismo vivo com câncer de próstata em em fase de metástase para determinar se os mesmos componentes que foram eficazes nas células cultivadas em laboratório poderão evitar a metástase sem efeitos colaterais.